A libertação da luso-venezuelana Carla da Silva, na capital venezuelana, Caracas, deixou a comunidade madeirense aliviada mas ainda em suspense, depois de mais de cinco anos detida sob acusação de crimes políticos. O caso continua a evoluir com questões judiciais por esclarecer, conforme revelou esta segunda-feira o deputado Carlos Fernandes em entrevista à RTP Notícias.
Governo Regional da Madeira saúda libertação
Em comunicado oficial, o Governo Regional da Madeira saudou a libertação de Carla da Silva como um sinal de esperança na defesa dos direitos humanos e um passo importante no respeito pela dignidade humana e pelas garantias fundamentais. O Executivo liderado por Miguel Albuquerque reiterou o compromisso na proteção dos madeirenses e de lusodescendentes privados de liberdade em países terceiros.
O Governo Regional lembrou ainda que permanecem presos outros cidadãos madeirenses e lusodescendentes na Venezuela por motivos políticos, incluindo Juan Francisco Rodriguez dos Ramos, Fernando Venâncio Martínez e Jaime Orlando dos Reis Macedo — casos que continuam a merecer atenção diplomática e institucional.
Libertação mas sem destino claro
A luso-venezuelana foi libertada no domingo após ter cumprido cerca de cinco anos de prisão de uma pena que originalmente ultrapassava 20 anos, imposta por um tribunal de Caracas em 2024. Carla da Silva foi condenada por conspiração e participação na chamada “Operación Gedeón”, uma tentativa falhada de derrubar o regime de Nicolás Maduro em 2020.
No entanto, o facto de ter saído da prisão não garante que esteja em liberdade plena. Segundo o deputado e presidente do Núcleo de Emigrantes do PSD/Madeira, Carlos Fernandes, Carla ainda não sabe qual será o seu destino legal e judicial. Ela deverá comparecer hoje em tribunal em Caracas para que se decida se poderá sair do país livremente ou se ficará sujeita a medidas coercivas como apresentações periódicas às autoridades judiciais.
“Não sabemos se será uma liberdade completa”, afirmou o deputado à jornalista Cristiana Freitas, realçando que muitos presos políticos libertados na Venezuela mantêm restrições que limitam a sua mobilidade e direitos mesmo após a soltura.
Pressões internacionais e situação de direitos humanos
A libertação de Carla da Silva aconteceu num contexto mais amplo de libertações de presos políticos na Venezuela, impulsionadas por pressões internas e externas ao regime bolivariano. Pelo menos 80 presos políticos terão sido libertados no mesmo dia, segundo relatórios de organizações internacionais e ONG ligadas aos direitos humanos, embora haja divergências sobre o número real de libertações e a extensão das liberdades concedidas após a saída das prisões.
Organizações de defesa dos direitos humanos haviam denunciado a detenção arbitrária de Carla desde 2020 e pediam a sua libertação imediata — em muitos casos pela ausência de processos transparentes e pela extensão de detenção preventiva para além do permitido pela lei venezuelana.
Repercussões nas comunidades lusas e portuguesas
A libertação da lusodescendente é vista como um marco simbólico para comunidades portuguesas e madeirenses no estrangeiro, destacando os desafios que cidadãos duplamente ligados cultural e legalmente enfrentam sob regimes políticos instáveis. O Executivo madeirense reafirmou que continuará todos os esforços diplomáticos e institucionais para garantir a libertação e segurança dos cidadãos ainda detidos.
Fonte: RTP
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