Operação “Terra Queimada” envolve sete arguidos e 26 mandados de busca no Funchal e em Lisboa
A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar uma alegada fraude na obtenção de fundos europeus destinados a projetos de reflorestação na Região Autónoma da Madeira, num montante que ultrapassa os 3,8 milhões de euros. A operação, denominada “Terra Queimada”, foi realizada em articulação com a Procuradoria Europeia e abrangeu os distritos de Lisboa e do Funchal.
Segundo informação oficial divulgada pelas autoridades, foram constituídos sete arguidos — cinco pessoas singulares e duas pessoas colectivas — no âmbito de um inquérito que investiga suspeitas de irregularidades graves na atribuição de apoios comunitários.
Fundos FEADER e Portugal 2020 sob suspeita
Em causa estão projetos financiados pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER), integrados no programa Portugal 2020, destinados à reflorestação na Madeira. De acordo com a investigação, terá sido solicitado o pagamento de 3.829.345,27 euros, tendo sido aprovados e pagos incentivos no valor global de, pelo menos, 3.675.231,87 euros.
As autoridades detectaram alegadas relações de domínio de gestão e de capital entre entidades beneficiárias e empresas fornecedoras, situação que poderá configurar conflito de interesses e eventual manipulação na atribuição dos apoios financeiros.
26 buscas e dezenas de inspectores envolvidos
A operação “Terra Queimada” mobilizou 58 inspectores e 15 especialistas de polícia científica, que executaram 26 mandados de busca e apreensão. A acção contou ainda com a participação de dois procuradores europeus delegados.
Os factos em investigação poderão enquadrar-se na prática de crimes como:
- Fraude qualificada na obtenção de subsídio
- Participação económica em negócio
- Recebimento indevido de vantagem
- Corrupção
- Branqueamento de capitais
Proteção dos interesses financeiros de Portugal e da União Europeia
A investigação está a ser conduzida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, que reforça o compromisso de proteger os interesses económicos e financeiros de Portugal e da União Europeia.
Este caso volta a colocar sob escrutínio a gestão de fundos europeus na Madeira, especialmente no âmbito de programas de desenvolvimento rural e ambiental, áreas consideradas estratégicas para o crescimento sustentável da Região.
O inquérito prossegue sob segredo de justiça.
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