São Vicente, Madeira – A tensão política instalou-se no concelho de São Vicente, na costa norte da Ilha da Madeira. Os vereadores do Chega, Helena Freitas e Fábio Costa, exigem publicamente a renúncia do presidente da Câmara Municipal, José Carlos Gonçalves, após a decisão de lhes retirar os pelouros na autarquia.
A crise surgiu depois de ambos os autarcas terem votado contra uma proposta apresentada pelo executivo municipal que visava iniciar o processo de reabertura das grutas de São Vicente, um dos pontos turísticos mais conhecidos da região.
Conflito político na Câmara Municipal de São Vicente
Segundo declarações prestadas à Antena 1, Helena Freitas afirma que o atual cenário político na autarquia tornou-se insustentável. Para a vereadora, a única solução possível neste momento é a saída do presidente da Câmara.
“Perante a situação atual, entendemos que a única solução é a renúncia do presidente da Câmara Municipal”, afirmou a autarca, reforçando que a decisão de retirar os pelouros foi interpretada como uma reação política ao voto contra apresentado pelos vereadores.
Reabertura das Grutas de São Vicente gera polémica
No centro da polémica está a proposta de reabertura das grutas de São Vicente, encerradas há vários anos e que representam um importante ativo turístico para o concelho e para a economia local da Madeira.
A proposta discutida incluía a revogação de decisões anteriores relativas à dissolução da empresa municipal Naturnorte, entidade que anteriormente era responsável pela gestão das grutas. Outro ponto relevante era a integração dos trabalhadores da empresa no quadro de pessoal da Câmara Municipal.
No entanto, Helena Freitas e Fábio Costa defendem que faltam estudos técnicos e financeiros que sustentem qualquer decisão sobre o futuro da exploração turística daquele espaço.
Dúvidas sobre gestão e alegada falta de transparência
Além das divergências políticas, os vereadores levantam dúvidas sobre o modelo de gestão proposto para a Naturnorte. Helena Freitas aponta uma possível falta de transparência no processo e admite mesmo a existência de suspeitas que exigem esclarecimentos.
Apesar do conflito institucional, os dois vereadores garantem que não irão renunciar aos seus cargos, mantendo-se em funções enquanto representantes eleitos no município.
Presidente da Câmara mantém silêncio
Contactado pela Antena 1, o presidente da Câmara de São Vicente, José Carlos Gonçalves, optou por não comentar a posição dos vereadores do Chega. A reação surge depois de os autarcas terem enviado um comunicado à comunicação social a explicar a sua posição.
O silêncio do presidente aumenta a expectativa em torno dos próximos desenvolvimentos desta crise política em São Vicente, que poderá ter impacto na governação local e no futuro de projetos importantes para o concelho, como a reativação das grutas de São Vicente.
Impacto político e turístico no concelho
As grutas vulcânicas de São Vicente são um dos ex-líbris turísticos da costa norte da Madeira. O seu encerramento nos últimos anos teve impacto no fluxo turístico da região e no comércio local.
Por isso, qualquer decisão sobre a sua reabertura ou modelo de gestão tem relevância estratégica para o desenvolvimento económico do concelho. O atual impasse político poderá atrasar decisões importantes para o setor turístico.
Enquanto o debate político continua, a população e os agentes económicos aguardam esclarecimentos e soluções que permitam garantir estabilidade na gestão do município e no futuro das grutas.
Fonte: RTP Madeira