A Euribor voltou a disparar nos mercados financeiros europeus, numa reação imediata à crescente instabilidade provocada pela guerra no Irão e pelo impacto energético global que o conflito poderá gerar. Esta subida repentina está a preocupar milhares de famílias em Portugal — e especialmente na Região Autónoma da Madeira — que dependem de créditos habitação com taxa variável.
Especialistas alertam que, se esta tendência continuar, muitos madeirenses poderão ter dificuldades em suportar os pagamentos da casa já nos próximos meses, uma vez que as prestações poderão subir novamente.
Mercados antecipam subida dos juros do BCE
A escalada da Euribor surge num contexto de forte incerteza nos mercados financeiros internacionais. O conflito no Médio Oriente, especialmente após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro, criou receios de um novo choque energético global.
Esse cenário poderá alimentar uma nova onda de inflação na Europa, levando os investidores a antecipar que o Banco Central Europeu (BCE) possa voltar a subir as suas taxas diretoras para controlar os preços.
Antes da escalada militar, as taxas Euribor encontravam-se relativamente estáveis, pouco acima dos 2%, já que os mercados esperavam que o BCE mantivesse os juros sem alterações nos próximos meses. Contudo, com o agravamento da situação geopolítica, a realidade mudou rapidamente.
Euribor atinge máximos e preocupa famílias
No dia 10 de março, a Euribor a 12 meses atingiu os 2,552%, o valor mais elevado desde janeiro de 2025. Este foi um dos maiores aumentos diários registados desde o final de 1998, demonstrando a forte reação dos mercados.
No mesmo dia, outros prazos também registaram subidas importantes:
- Euribor a 6 meses: 2,295%
- Euribor a 3 meses: 2,138%
Importa lembrar que a Euribor a 6 meses é a mais utilizada nos créditos habitação em Portugal, o que significa que muitas famílias poderão sentir o impacto diretamente nas suas prestações mensais.
Volatilidade continua nos mercados financeiros
A incerteza permanece elevada. Um dia após o forte aumento, as taxas voltaram a recuar significativamente no dia 11 de março.
Nesse dia, os valores passaram para:
- 2,122% na Euribor a 3 meses
- 2,173% na Euribor a 6 meses
- 2,369% na Euribor a 12 meses
Esta volatilidade demonstra que os mercados estão a reagir minuto a minuto ao conflito no Médio Oriente e às declarações políticas internacionais.
Declarações de Trump não acalmam totalmente os mercados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou recentemente que a guerra contra o Irão "está praticamente concluída" e que poderá terminar em breve.
No entanto, autoridades em Teerão responderam rapidamente, afirmando que não cabe a Washington determinar quando o conflito termina. Estas declarações mantêm a tensão internacional elevada e continuam a alimentar a instabilidade financeira.
Impacto direto nas famílias da Madeira
Na Madeira, onde uma grande parte das famílias possui crédito habitação indexado à Euribor, a evolução das taxas é acompanhada com grande preocupação.
Se as taxas continuarem a subir, as prestações mensais poderão aumentar já nas próximas revisões dos contratos. Para muitos agregados familiares, isto poderá significar centenas de euros adicionais por ano no orçamento doméstico.
Economistas alertam que, num cenário de subida prolongada das taxas de juro, algumas famílias poderão enfrentar sérias dificuldades financeiras.
O que esperar nos próximos meses
O futuro da Euribor dependerá sobretudo de três fatores principais:
- Evolução da guerra no Médio Oriente
- Impacto nos preços da energia
- Decisões de política monetária do Banco Central Europeu
Enquanto a situação geopolítica não estabilizar, os mercados deverão continuar extremamente sensíveis a qualquer notícia relacionada com o conflito.
Para os proprietários com crédito habitação na Madeira, o conselho dos especialistas é claro: acompanhar de perto a evolução da Euribor e preparar o orçamento familiar para possíveis aumentos das prestações.