Uma operação histórica no combate ao narcotráfico internacional coloca Portugal no centro da luta contra o tráfico transcontinental de droga.
Operação “Adamastor” trava carregamento milionário de cocaína
As autoridades portuguesas apreenderam quase nove toneladas de cocaína transportadas num semissubmersível intercetado em pleno oceano Atlântico, a cerca de 230 milhas náuticas dos Açores. Segundo a Polícia Judiciária (PJ), esta operação poderá representar a maior apreensão de cocaína alguma vez realizada em território nacional.
A ação, realizada na passada sexta-feira, decorreu em condições extremas de perigosidade, fortemente condicionadas pelo mau estado do tempo, envolvendo uma operação conjunta da Polícia Judiciária, Marinha Portuguesa e Força Aérea.
Quase 9.000 quilos de droga destinados à Europa
Em conferência de imprensa realizada na sede da PJ, em Lisboa, o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE), Artur Vaz, revelou que foram recuperados cerca de 265 fardos de cocaína, estimando-se um peso total muito próximo das nove toneladas.
De acordo com as autoridades, o semissubmersível transportava inicialmente cerca de 300 fardos, mas aproximadamente 35 acabaram por afundar juntamente com a embarcação, impossibilitando a sua recuperação.
Tripulação resgatada antes do naufrágio
A bordo do semissubmersível, proveniente da América do Sul e com destino a vários pontos da Europa, seguiam três cidadãos colombianos e um venezuelano. Todos foram resgatados em segurança antes do naufrágio da embarcação.
Este tipo de meio marítimo é frequentemente utilizado por redes internacionais de narcotráfico devido à sua baixa deteção por radares, representando um desafio crescente para as autoridades de segurança.
Cooperação internacional decisiva
A operação “Adamastor” contou com uma estreita colaboração internacional, envolvendo autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido, no âmbito do Centro de Análise e Operação Marítimas – Narcóticos (MAOC-N).
Segundo a PJ, esta articulação foi fundamental para o sucesso da interceção, reforçando o papel estratégico de Portugal no combate ao tráfico de droga por via marítima no Atlântico.
Investigação continua nos Açores
A investigação prossegue agora sob a coordenação da Polícia Judiciária, em articulação com autoridades internacionais, no âmbito de um inquérito tutelado pelo DIAP da Comarca dos Açores.
Este caso volta a evidenciar a importância geoestratégica do arquipélago dos Açores e do território português nas rotas do narcotráfico global, reforçando a necessidade de vigilância marítima permanente.
Fonte: Diário de Notícias da Madeira
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