Comunidade islâmica quer cemitério próprio na Madeira e reacende debate sobre religião e espaço público
Pedido surge após a morte de um trabalhador do Bangladesh numa obra na Região Autónoma da Madeira
A comunidade islâmica na Madeira voltou a colocar na agenda pública uma questão sensível e de grande relevância social: a necessidade de um cemitério próprio para cidadãos muçulmanos a residir na Região. O tema ganhou nova força após a morte recente de um cidadão do Bangladesh que trabalhava numa obra, situação que expôs as dificuldades enfrentadas por esta comunidade no momento do falecimento de um dos seus membros.
Segundo o presidente do Centro Cultural Islâmico da Madeira, residem atualmente na Região cerca de dois mil cidadãos muçulmanos, provenientes de vários países, integrados no mercado de trabalho e na vida social madeirense.
Morte em obra reacende uma preocupação antiga
A ausência de um cemitério islâmico na Madeira não é uma preocupação recente, mas voltou a ganhar destaque após este caso concreto. A religião islâmica tem ritos funerários específicos, que incluem a sepultura direta no solo, a orientação do corpo para Meca e a realização do enterro num curto espaço de tempo após a morte.
Na inexistência de um espaço adequado na Região, muitas famílias são confrontadas com processos burocráticos complexos e custos elevados para a trasladação dos corpos para os países de origem.
Quantas religiões existem na Madeira e quantos cemitérios há?
A discussão levantou uma questão mais ampla: quantas religiões coexistem atualmente na Madeira e como está organizado o espaço funerário na Região? A Madeira é hoje uma região multicultural, onde vivem pessoas de dezenas de nacionalidades, culturas e crenças religiosas distintas.
Atualmente, os cemitérios existentes na Região estão maioritariamente associados à religião predominante. Nas redes sociais, vários utilizadores manifestaram preocupação, afirmando que “nem sequer há espaço suficiente para os próprios madeirenses”, questionando a viabilidade da criação de espaços exclusivos para outras religiões.
Debate nas redes sociais divide opiniões
O tema gerou reacções intensas nas redes sociais. Enquanto alguns defendem que a Madeira deve garantir liberdade religiosa e dignidade na morte a todos os residentes, outros sublinham que a criação de um cemitério exclusivo levanta questões de espaço, custos e gestão pública.
Há ainda quem recorde que, num cenário em que cada religião ou cultura tivesse o seu próprio espaço funerário, os encargos económicos deveriam ser suportados pelas próprias comunidades, e não pelo erário público.
Integração, respeito e sustentabilidade
Especialistas em assuntos sociais defendem que o debate deve ser feito com respeito, equilíbrio e informação, considerando tanto os direitos fundamentais à liberdade religiosa como a realidade geográfica limitada da Ilha da Madeira.
A criação de um cemitério islâmico na Madeira levanta assim uma discussão mais profunda sobre integração, convivência multicultural e sustentabilidade dos serviços públicos, num território insular com recursos finitos.
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